Mapa do debate: duas propostas de política econômica para o país

A política nacional anda muito polarizada. A briga entre bolsonaristas e o restante da sociedade, alocados numa suposta “esquerda”, tem ofuscado a qualidade do debate econômico que é tão importante para o país tentar superar a tragédia da estagnação que nos atormenta há cinco anos.

A polarização política tem evitado o bom debate sobre políticas econômicas.

Para tentar colocar as coisas em perspectiva, e facilitar a compreensão dos temas pelo leitor, este post tem o intuito de fazer um breve resumo sobre as propostas dos economistas ortodoxos e heterodoxos.

Perspectiva ortodoxa

A ortodoxia tem um foco maior para questões relacionadas ao lado da oferta da economia. No caso, o receituário geral desta abordagem é o de realizar políticas que irão diminuir custos de transação no processo de alocação dos recursos da sociedade.

As principais propostas:

1) Reforma tributária: diminuir impostos da cadeia produtiva e simplificar os tributos.

2) Reforma administrativa: diminuir a rigidez dos contratos do funcionalismo público de modo a facilitar as contratações e também as demissões.

3) Ajuste fiscal: corte de gastos do governo para permitir a manutenção da taxa de juros baixa. Para estes economistas, a taxa de juros é, em parte, função do risco de financiar os gastos do governo. Se o governo gastar muito a tendência será de que o mercado financeiro exigirá taxas mais elevadas para a compra dos títulos públicos.

A taxa de juros é um custo importante que influencia todos os preços da economia.

Resultado esperado:

Com a queda dos gastos do governo, da taxa de juros e de melhorias na legislação (desburocratização), os economistas ortodoxos acreditam que o setor privado irá começar a produzir e investir mais, pois as condições para isso iriam melhorar.

A queda dos gastos públicos iria contribuir para a queda do endividamento do Governo e, por sua vez, do risco país. Isso iria induzir o mercado financeiro a ter mais credibilidade no Brasil e, assim, comprar títulos públicos com taxas de juros mais baixas.

Com taxas de juros mais baixas, as empresas iriam ter mais crédito para investir e, assim, aumentar o gasto privado da economia. Com a queda do consumo do Estado, essa equalização permitiria um avanço do setor privado sem pressão na inflação, pois um substituiria o outro, fazendo com que o país cresça de forma equilibrada.

Perspectiva heterodoxa

A heterodoxia, em especial os economistas de inspiração Keynesiana (aqueles que seguem a teoria de Keynes), tem um foco maior para questões relacionadas a demanda. Aqui, o receituário geral desta abordagem ocorre com base na perspectiva de que os empresários planejam sua produção em função do que se espera vender, e não no que se espera gastar.

As principais propostas:

1) Aumento dos investimentos do governo em obras de infraestrutura.

2) Manutenção dos gastos com auxílio emergencial, para induzir o aumento do consumo das famílias.

3) Política monetária expansionista: leia-se política de queda de juros para expandir o crédito e baratear o custo do capital, além de tornar atrativo investimentos produtivos que rivalizam com a remuneração dos títulos de renda fixa (títulos do tesouro direto).

Resultado esperado:

O aumento do consumo das famílias e dos gastos do governo com investimentos iria induzir aumentos na produção para atender a nova demanda. Por sua vez, a elevação da produção e dos investimentos da economia iria gerar mais empregos e renda para a população.

Embora o aumento dos gastos tende a elevar o endividamento, a ideia é que o aquecimento da economia também aumentará a arrecadação de impostos. Outra coisa para se pensar é que o crescimento do PIB gerado pelo aumento de gastos possibilitará maior margem para o endividamento, uma vez que esta taxa é medida em relação ao próprio PIB (Taxa de endividamento = Dívida Líquida/PIB).

Sobre a inflação, para os heterodoxos o receituário recomendado não induzirá ao descontrole dos preços, pois como a economia está com elevada capacidade ociosa o aumento da demanda será facilmente atendida. O risco de inflação ocorreria apenas a partir do momento em que a estrutura produtiva da economia não estiver conseguindo sustentar o padrão de consumo da sociedade.

E aí, o que você achou das propostas de cada abordagem econômica? Quais são as melhores ideias para resolvermos o problema econômico do país? Será que dá para encontrar um meio termo entre elas?

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s