História de 200 anos das taxas de juros dos EUA

A expectativa recente é de que as taxas de juros dos EUA ficarão próximas de zero por pelo menos três anos, enquanto o Federal Reserve promulga medidas para impulsionar a economia.

Muito tem se discutido se as taxas de juros tão baixas são um fenômeno novo, e qual será o seu comportamento futuro.

Curiosamente, um estudo do Banco da Inglaterra mostra que esse padrão de declínio das taxas de juros ocorre globalmente desde o final da Idade Média. Na verdade, isso sugere que essas tendências descendentes das taxas ocorreram antes mesmo de os bancos centrais modernos entrarem em cena – ilustrando uma tendência histórica arraigada.

História das taxas de juros dos EUA
Fonte: Goldman Sachs Global Investiment Research. Elaborado por Visual Capitalist.

Antes dos níveis historicamente baixos de hoje, as taxas de juros caíram para 1,7% durante a Segunda Guerra Mundial, quando o governo dos EUA injetou bilhões na economia para ajudar a financiar a guerra. Na mesma época, a dívida do governo cresceu para mais de 100% do PIB.

Já em 1981, quando as taxas de juros atingiram o máximo histórico de 15,8%, a inflação galopante foi a principal questão econômica na década de 1970 e início de 1980. Neste cenário, ocorreu que o presidente do Federal Reserve, Paul Volcker, instigou controles de taxas para conter a demanda. Foi um período de baixo crescimento econômico e aumento do desemprego, com índices de desemprego de até 8%.

As taxas de juros nos séculos 18 e 19 também fornecem tendências esclarecedoras.

Após cair por três décadas na virada do século, as taxas de juros estavam em 4% em 1835. Naquele ano, o presidente Andrew Jackson pagou a dívida nacional dos Estados Unidos pela primeira e única vez na história, já que a dívida era vista como uma “falha moral ” na época.

Uma consequência disso foi o governo vendendo lotes de terra para financiar o orçamento federal, evitando o acúmulo de dívidas. Não durou muito. O afluxo de vendas de terrenos levou a uma bolha imobiliária e, eventualmente, a economia entrou em recessão. O governo teve que tomar empréstimos novamente e as taxas subiram nos próximos anos.

Da mesma forma, após o fim da Guerra Civil em 1865, os dados mostram que as taxas de juros também testemunharam uma inclinação negativa de longo prazo, que terminou em 1945. Em seguida, levou 100 anos para que as taxas de juros ultrapassassem os máximos da era da Guerra Civil.

Por que os juros foram tão baixo por tanto tempo?

Embora as razões exatas não sejam claras, amplas forças estruturais podem estar influenciando as taxas de juros.

Uma explicação sugere que uma maior acumulação de capital pode ser um fator. Períodos de forte crescimento geram um aumento de fundos emprestáveis, derivados da queda da preferência pela liquidez. Boas perspectivas para o futuro geram otimismo nos mercados, o que permite a queda dos juros.

Já os movimentos de reversão costumam ser explicados por aceleração inflacionária, descontrole fiscal e/ou choques de oferta de bens essenciais (como o petróleo). Tais fenômenos foram vistos entre os anos de 1960 e 1980.

Diante desse breve panorama, o que você acha que devemos esperar para o futuro?

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