Temos uma bolha financeira pela frente? O indicador de Buffett e a teoria do “Capital as Power”

Em 2001, Warren Buffett descreveu a razão da capitalização do mercado de ações em relação ao PIB como “a melhor medida individual de onde as avaliações estão em um determinado momento”.

Essa proporção, agora comumente conhecida como Indicador Buffett, compara o tamanho do mercado de ações com o da economia. Um índice alto indica um mercado supervalorizado – e em 11 de fevereiro de 2021, o índice atingiu os máximos de todos os tempos, indicando que o mercado de ações dos EUA está fortemente sobrevalorizado.

O gráfico abaixo é da Current Market Valuation (CMV). Ele fornece uma visão geral de como o Indicador Buffett mudou desde 1950. Também explicaremos como a proporção é calculada e por que as coisas podem não ser tão terríveis quanto parecem.

The Buffett Indicator since 1950

O que é o indicador de Buffett?

O Indicador Buffett é um índice usado pelos investidores para avaliar se o mercado está subvalorizado, valor justo ou sobrevalorizado. A proporção é medida dividindo o valor coletivo do mercado de ações de um país pelo PIB da nação.

Para calcular o índice, o Current Market Valuation (CMV) usou o índice Wilshire 5000, junto com dados do Federal Reserve para o componente histórico, para medir o valor coletivo do mercado de ações dos EUA. 

De acordo com Warren Buffett, “se a proporção se aproximar de 200% … você está brincando com fogo”.

E como podemos ver, a proporção atual dos EUA está em 228%.

O que o indicador de Buffett nos revela?

O indicador de Buffett por si só não parece ser um bom instrumento para o investidor, visto que muitas vezes as crises financeiras são resultados de frustrações de expectativas e não meramente de valorização excessiva.

Crises econômicas, no geral, podem acontecer com o mercado em alta ou em baixa, e também podem ocorrer por diversos fatores, como políticos, ambientais ou econômicos.

Entretanto, o indicador de Buffett é interessante pois mostra como o mercado financeiro tem se descolado da economia real nos últimos tempos, em especial a partir dos anos 2000.

Economistas heterodoxos afirmam que isso é um dos sinais da era neoliberal, em que o capital financeiro tem guiado a vida econômica das sociedades. Outra interpretação possível é que as reformas econômicas, derivadas do receituário neoclássico que se ascendeu a partir dos anos 90, têm aumentado o poder dos capitalistas frente a massa de trabalhadores.

Bichler e Nitzan, autores da teoria denominada de “Capital as Power” (CasP), têm afirmado que esse as oscilações entre o mercado financeiro e a economia real são reflexos de mudanças na organização de poder na economia capitalista, e não apenas a fatores especulativos.

A abordagem do “CasP” assevera que, quanto melhor as expectativas sobre as possibilidades de controle da sociedade pelos capitalistas, maior é a capacidade de capitalização das organizações.

Assim, podemos deduzir que esse excesso de capitalização, ou valorização da bolsa, não é um efeito da irracionalidade dos investidores, mas sim que estes têm expectativas que o poder do capital será ampliado no futuro.

O problema é que esse cenário costuma gerar instabilidades sociais, derivadas da insatisfação popular com os níveis de desigualdade de renda, concentração de riqueza e o desemprego.

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