Seis fatos sobre a desigualdade econômica dos EUA

É muito comum, nos debates sobre economia, algumas pessoas usarem os EUA como exemplo básico de sucesso do paradigma de livre mercado. Entretanto, embora estejamos tratando de um país desenvolvido, de renda alta, isso não significa que suas instituições garantam a melhor situação de bem estar social.

Um dos problemas que mais atormentam a sociedade norte americana é a desigualdade. Aqui veremos seis fatos que mostram claramente o quão desigual os EUA é, de acordo com um estudo do Pew Research Center.

Fato 1: 20% das mais ricos possuem 52% da renda

Nos últimos 50 anos, os 20% dos lares norte-americanos mais ricos conseguiram uma parcela maior da renda total do país, em comparação com os 80% restante da população. Em 2018, as famílias que se situaram no primeiro quintil dos mais bem pagos (com rendas de US$130.001 ou mais naquele ano) receberam 52% de toda a renda dos EUA, mais do que a soma dos ganhos obtidos pelos quatro quintis restante.

As 20% das famílias com maior renda ganhavam mais da metade de toda a renda dos EUA em 2018
Os dados são do Census Bureau.

Para se ter uma ideia de como a concentração de renda aumentou ao longo do tempo, em 1968 os 20% de maior renda das famílias obtinham 43% da renda nacional, enquanto aqueles nos quatro quintis de renda mais baixos representavam 56%.

Entre as 5% das famílias mais ricas – aquelas com renda de pelo menos US$248.729 em 2018 – sua participação em toda a renda dos EUA aumentou de 16% em 1968 para 23% em 2018.

Fato 2: A desigualdade de renda dos EUA é a maior do G7

A desigualdade de renda nos EUA é a maior de todas as nações do G7 , de acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento EconômicoPara comparar a desigualdade de renda entre os países, a OCDE usa o coeficiente de Gini, uma medida comumente usada que varia de 0 (quando há igualdade perfeita) a 1 (quando há desigualdade completa, ou seja, apenas um indivíduo recebe toda a renda do país). 

Em 2017, os EUA tinham um coeficiente de Gini de 0,434. Nas outras nações do G7, o Gini variou de 0,326 na França a 0,392 no Reino Unido.

Os EUA têm o maior nível de desigualdade de renda entre os países do G7
Coeficiente de Gini entre os países do G7.

Fato 3: negros recebem menos que os brancos

A diferença de renda entre brancos e negros nos EUA persistiu ao longo do tempo. A diferença na renda familiar média anual entre americanos brancos e negros cresceu de cerca de US$23.800 em 1970 para cerca de US$33.000 em 2018 (medido em dólares de 2018). A renda familiar média negra era de 61% da renda familiar média branca em 2018.

Essa diferença também se elevou ao longo do tempo, sendo que em 1970 essa diferença entre a remuneração de brancos e negros era de 56%. Já em 2007 ela era de 63%.

Os dados são da Current Population Survey.

Nos EUA, a diferença de renda entre brancos e negros se manteve estável desde 1970
Diferença na renda entre brancos e negros ao longo do tempo.

Fato 4: nem toda a população percebe a desigualdade

No geral, 61% dos americanos dizem que há muita desigualdade econômica no país hoje, mas as opiniões diferem por partido político e nível de renda familiar. 

Conforme revelou uma pesquisa do Pew Research Center conduzida em setembro de 2019, entre os republicanos e aqueles que se inclinam para o Partido Republicano, 41% dizem que há muita desigualdade nos EUA, em comparação com 78% dos democratas e adeptos democratas,

Os democratas têm quase duas vezes mais probabilidade do que os republicanos de dizer que há muita desigualdade econômica
Democratas têm uma percepção melhor sobre a desigualdade.

Em todos os grupos de renda, os adultos norte-americanos têm a mesma probabilidade de dizer que há muita desigualdade econômica. Mas os americanos de renda alta (27%) e média (26%) têm mais probabilidade do que aqueles de renda mais baixa (17%) de dizer que existe uma “quantidade correta” de desigualdade econômica.

Fato 5: A concentração de riqueza elevou-se muito nas últimas décadas

A diferença de riqueza entre as famílias mais ricas e mais pobres da América mais do que dobrou de 1989 a 2016

As famílias mais ricas são as únicas cuja riqueza aumentou nos anos após o início da Grande Recessão de 2008. 

De 2007 a 2016, o patrimônio líquido médio dos 20% mais ricos aumentou 13%, para US$1,2 milhão. Para os 5% mais ricos, aumentou 4%, para US$4,8 milhões. Em contraste, o patrimônio líquido médio das famílias nas camadas mais baixas de riqueza diminuiu em pelo menos 20%. As famílias do segundo quinto mais baixo sofreram uma perda de 39% (de $ 32.100 em 2007 para $ 19.500 em 2016).

Desde 1981, a renda dos 5% mais ricos aumentou mais rapidamente do que a renda de outras famílias
As famílias mais ricas foram as únicas a aumentarem seus patrimônios após a Crise de 2008.

Fato 6: A renda das classes ricas subiram mais do que a das classes médias

A renda da classe média cresceu a uma taxa mais lenta do que a renda das camadas superiores nas últimas cinco décadas. De 1970 a 2018, a renda média anual da classe média aumentou de US$58.100 para US$86.600, um ganho de 49%. Em comparação, a renda média das famílias de nível superior cresceu 64% ao longo desse tempo, de US$126.100 para US$207.400.

As disparidades de renda entre as famílias de renda alta e média e baixa estão aumentando, e a parcela detida pelas famílias de renda média está caindo

Por fim, a participação relativa das rendas das classes também se alteraram. Enquanto que as famílias de classe alta viram a parcela de suas rendas aumentarem de 29% do PIB norte americano em 1970 para 48% em 2018, as de classe média tiveram uma queda forte, de 62% para 43% no período.

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